O sono do bebê e o sono da mãe
Nem todos sabem, mas o sono dos bebês, em especial dos recém nascidos, tem uma arquitetura muito diferente do sono dos adultos.
Desde o número de horas até a maneira como se dão os ciclos do sono, o bebê passa por um processo de maturação que acompanha seu desenvolvimento psíquico, físico e emocional. Ao cortar o cordão umbilical, o alimento, o ar, tudo depende de um esforço do bebê em consegui-lo. Da mesma maneira que comer e respirar, dormir também é uma necessidade vital. O cérebro precisa do sono para poder desenvolver-se de maneira sadia. Ficar sem dormir pode ser tão grave quanto ficar sem comer.
Diante das mudanças culturais ocorridas no último século, a mãe, que antes tinha um papel definido de dona de casa, hoje tem a conquista de seu espaço no mercado de trabalho. O pai, que antes enfrentava uma jornada de trabalho de 8 horas, hoje passa um tempo cada vez maior fora de casa, seja no trabalho, no trânsito ou em outras atividades. O tempo se tornou artigo raro.
A maneira como se estabelece o vínculo mãe-bebê vai interferir diretamente na qualidade e quantidade de sono da criança. Amar o suficiente, infelizmente não basta. Para dormir bem o bebê precisa aprender a desligar-se da mãe com a certeza de que vai encontrá-la no dia seguinte. E a mãe também precisa ser capaz de desligar-se de seu filho, livre de culpas e tranquila de que esteve com seu filho, nem demais a ponto de "sufocá-lo", nem de menos a ponto de não conseguir estabelecer um vínculo seguro.
O pai, cada vez mais presente, também pode e deve exercer seu papel. Ajudando a mãe a cumprir sua jornada de trabalho, seja dentro ou fora de casa, e ao mesmo tempo permitindo que o bebê estabeleça um novo vínculo, igualmente importante, fica clara a relevância do papel do pai no desenvolvimento dos filhos.
Se seu filho tem dificuldade em adormecer, iniciar o sono, acorda muitas vezes durante a noite, parece sempre irritado e com sono e dorme um número insatisfatório de horas por noite, talvez seja o momento de rever a delicada relação que se estabeleceu entre o bebê e seus pais.
Isso não significa que somos bons ou maus pais. Muito pelo contrário. Gerar e criar filhos psíquica e fisicamente saudáveis é um desafio enorme. Reconhecer as dificuldades que encontramos a cada dia, em cada fase, é o que torna possível superar essas dificuldades e evoluir para novos desafios e conquistas.
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